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Comunicado do Presidente da Mesa de Assembleia Geral da Associação Profissional de Acupunctura e Medicina Tradicional Chinesa (APAMTC) - Resposta ao Dr. Pedro Choy

1 – Ao Presidente da Mesa de uma qualquer Assembleia Geral só caberá intervir quando os assuntos da Associação transcendem as funções da Direcção e atingem a maioria dos seus associados.

2 – Durante todo o longo tempo que têm decorrido o processo de regulamentação da Acupunctura, após a Lei 45/2003, tenho-me mantido num silêncio prudente e no respeito pelas funções estatutárias da Associação, limitando-me a uma intervenção pedagógica nas Assembleias Gerais para a manutenção da dignidade que se deseja ser apanágio da APAMTC e travando o ímpeto natural de indignação, na resposta a provocações, em moldes que nunca se lhes possam assemelhar. 

Nesta atitude tenho sido acompanhado pela Direcção. 

3 – Coube-me ler a “ Carta aberta à Ministra da Saúde “ publicada na net pelas “Clínicas Dr. Choy” e assinada pela Direcção da APPA de que aquele senhor Choy é Presidente. 

4 – Face ao que ali é exposto e dado que desde o início acompanhei todo o processo da Regulamentação da Profissão de Acupunctor em curso, vejo-me na obrigação de comentar aquela carta e denunciar aquilo que do seu texto se me torna evidente como um insulto a esta Associação e aos seus Orgãos Sociais, atingindo necessariamente todos os associados e a mim mesmo. 

Deixo ao Senhor Presidente da Direcção, eleito pela APAMTC para representante da Acupunctura na Comissão Consultiva, a tomada de atitude que mais achar conveniente como resposta aos boatos e outras tentativas de denegrir a sua actividade nesse contexto (aqui interpretados na qualidade de Presidente da Direcção desta Associação) que há já algum tempo circulam. 

5 – Antes de entrar propriamente no texto da “carta aberta” julgo ser de bastante importância referir certos factos históricos que parece nunca terem sido publicamente referidos pelo snr. Choy ou pelas suas Associações, nem mesmo pelas suas clínicas.  

a) Para iniciar, tomo como exemplo o que li num texto (net) da autoria do Snr. Choy em que é referido que a história da MTC em Portugal teria começado na década de oitenta do séc. passado. 

Não há qualquer referência a quem começou. 

Engana-se aquele senhor, já que por meados dos anos sessenta do mesmo século se deu o início em Portugal da prática moderna daquela Medicina, pela mão do Mestre Araújo Ferreira que regressado a Portugal vindo da Europa, onde foi discípulo do Mestre Eduardo Juveni e de ter estabelecido padrões de ensino com o muito reputado Mestre Nguyen Van Nghi, logo tomou discípulos e iniciou a divulgação da MTC – Acupunctura.

De notar que de entre os seus discípulos de então faziam parte médicos convencionais (honra lhes seja feita), licenciados em diversas áreas científicas e até oficiais de Marinha. 

Tive o privilégio de me encontrar entre estes e muito provavelmente ser hoje o acupunctor mais antigo do país em exercício continuado. 

b) Foi já, isso sim, em 1983 que o Mestre Araújo Ferreira publicou o seu livro “ O que deve saber de verdade sobre a acupunctura e não só “ que teve o sucesso bastante para ser traduzido em caracteres Braille. 

Um ano antes, pelo seu impulso, foi fundada a Associação Portuguesa de Medicina Acupunctural em que também tive a honra de ser sócio fundador. 

Pelo seu imenso saber e acção cívica, mesmo para além da Acupunctura, foi aquele senhor muitas vezes alvo do reconhecimento público e em abono da verdade sem a sua presença esclarecida, o seu dinamismo, e a sua capacidade de iniciativa, talvez ainda hoje não se tivesse chegado à fase da legalização em que nos encontramos. 

Que o digam os Prof.s Reinaldo Batista, Ribeiro Nunes, Afonso Cautela, Valadares, Ricardo Salvatori, Serge Jurasunas, Maria Lucinda Tavares e tantos outros que desenvolveram os vários ramos da medicina não convencional, contando sempre com o seu conselho e a sua ajuda. 

(Fugindo um pouco à reserva Ética que nos impomos, não calarei o peso de seguidores, como o Dr. José Faro e a Dra. Deolinda Fernandes, na divulgação acertada e no ensino da MTC, de que certamente o meu Mestre se orgulharia). 

Também tive o privilégio de me encontrar entre os que na companhia daquele Mestre, tentaram com o Dr. Fermin Cabal, (personalidade espanhola cujo conhecimento será obrigatório aos acupunctores) que se conseguisse sediar em Portugal uma confederação de Medicinas Alternativas Naturais, o que por impossibilidades económicas nacionais se veio a realizar em Madrid, 1986, de que também me orgulho de ser sócio fundador, a reconhecida “ Confederación Internacional de Associaciones de Medicinas Alternativas Naturales “ em Outubro de 1986 e posteriormente a FENAM de que ainda cheguei a ser Presidente. 

Não esquecerei a referência ao meu Amigo Daniel Laurent cuja luta pela divulgação em Portugal e legalização europeia da MTC é sobejamente conhecida, tal como o seu valor como Mestre em acupunctura. 

c) No meu caso, tive a possibilidade de iniciar a minha prática acupunctural associada à Psicologia de C.G. Jung, no início dos anos setenta, o que é comprovado não só por documento oficial do então Ministério da Marinha, pelas publicações, pelas entrevistas em jornais de grande tiragem, por intervenções em congressos e outros encontros, tanto em Portugal como no estrangeiro, até na NATO, bem como pelo ensino. 

d) Uma das últimas intervenções públicas em que acompanhei o Mestre Araújo Ferreira, antes do seu passamento aconteceu num programa da RTP 1, de grande sucesso, “Já agora”, do jornalista Carlos Pinto Coelho, cuja data não tenho presente, mas que já lá vai muito tempo. Nesse programa fui “democraticamente empurrado” para o painel de discussão como representante das “Medicinas Naturais”, como então se dizia, juntamente ao representante da Ordem dos Médicos e outros intervenientes. O seu apoio às minhas intervenções foi conclusivo. 

Felizmente que alguns dos discípulos dessa altura dos anos setenta do Mestre Araújo Ferreira ainda estão vivos e ao que sei, alguns a exercer.  

e) Claro que com a idade que tem, o Snr. Choy não poderia estar a par deste apontamento histórico do século passado e do “quem é quem” na Acupunctura nacional, e se o soube nunca o quis revelar.

Julgo saber que terá 48 anos, pelo que andaria na casa dos doze anos quando se deu o início deste movimento. 

Lembro-me ainda das primeiras intervenções televisivas daquele senhor em que tratava, dentro de água e através de “laser”, um golfinho sofrendo duma ptose da pálpebra. Explicou então que actuava na barbatana superior, estimulando o meridiano do Estômago do golfinho. 

Mas isso já foram “décadas” depois dos iniciadores estarem a trabalhar sem nenhum interesse de negócios tipo “lobby “ ou monopólios, limitando-se a realizar a tarefa que havia muitos anos se tinham proposto:

- trabalhar e mostrar as vantagens do tratamento acupunctural e das outras vertentes MTC, seguindo como podiam os ensinamentos éticos do Mestre. 

A propósito de Ética, recordo que apesar de ter sido eleito pelas Associações de então (e contavam-se entre os sócios de cada uma delas mais de uma centena de profissionais das Medicinas não convencionais) para ser reitor de uma Universidade destas medicinas que alguns estavam a instalar em Braga,. Ao tomar conhecimento de irregularidades que ali ocorriam renunciei publicamente e pela televisão àquele cargo. 

Também me lembro do primeiro aparecimento em meio das Medicinas Naturais do snr. Choy num congresso de Medicinas “Alternativas” realizado pelas Associações, (de que sou também fundador), de Naturopatia, de Homeopatia e Medicina Acupunctural e pela Escola de Biologia e Saúde. 

Poderia falar de muita mais história, mas acho que o respeito pelos que nos antecederam e que lutaram contra todas as ameaças e que, esses sim, iniciaram todo o processo que agora está em culminação, não pode ser nem aviltado nem esquecido.  

f) Poderia até falar das perseguições e dos inúmeros prejuízos de todos aqueles que se dedicaram às medicinas não convencionais em Portugal, da luta que se travou, desde os saudosos Alfredo Vasco Homem e Indiveri Collucci, do nosso tão terno amigo Dr. Correia de Oliveira, do snr. João Santos da Diese e de muitos outros.  

E, ao escrever isto, não sabendo porquê, ocorre-me com insistência a célebre pergunta :

“ Onde estava o meu amigo no 25 de Abril?”  

6 – Chamam, os signatários da APPA, “a responsabilidade de, hoje em dia, se ouvir falar tanto de Acupunctura em Portugal”

Bem, vamos lá mais devagar meus caros senhores, as entrevistas na rádio, na televisão e nos jornais, as intervenções em congressos não afectos à medicina não convencional, os cerca de quarenta anos duma luta sem tréguas em que muitos de nós arriscámos a nossa qualificação científica Universitária, a reputação, a ida para a prisão, etc. etc. etc., isso pelo que parece não significou nada! 

Será que o mais importante é o aparecimento de alguém num programa da tv popular nas manhãs semanais cujo grupo alvo é indistinto e em que se brinca com um esqueleto humano chamado “ Óscar”? 

Será o que importa para a dignidade duma profissão médica é a aplicação de agulhas num programa televisivo da “chalaça” em que alguém é picado como exibição do tipo Vilar de Perdizes? 

Ou talvez a propagação de inúmeras clínicas com um nome pessoal pelo país fora, lembrando outras célebres clínicas de cariz convencional, será a melhor propaganda da Medicina Tradicional Chinesa? 

Talvez a criação dum mito pelos “media”, sabe-se lá como, isso sim seja o mais importante? 

“Quem não aparece na TV não é gente!”. Aparecendo na TV aparece-se na Imprensa! E até na Rádio! 

Aceito que muito foi divulgado, mas feito em proveito dum grupo de clínicas e não só.  

Quanto a isto, eu e muitos outros, não pactuámos nem procurámos propaganda deste tipo, dado que sempre achámos a nível associativo e individual que não era benéfico para a Medicina Tradicional Chinesa o trazê-la para uma ribalta que não emparelhasse com os melhores procedimentos da Medicina Convencional.

Muitas foram as recusas para presença em programas daquele tipo. 

Por outro lado, o culto da personalidade sempre por nós foi repudiado, mantendo um perfil pessoal discreto em tudo idêntico ao da Medicina Convencional. 

                Não estarão a fazer uma certa confusão?

Fala-se de acupunctura em simultâneo com o Dr. Choy. Confunde-se Dr. Choy e acupunctura.

Pela proliferação de clínicas com aquele nome, das variadíssimas aparições televisivas a propósito disto e daquilo, mesmo em campanhas políticas, do “Dr. Choy”, já se não sabe, se a nível popular, a Acupunctura é “Dr. Choy” ou se “Dr. Choy” inventou a acupunctura. 

Bravo pela campanha magnífica de marketing executada em tão poucos anos. 

Mas para isso é preciso muito dinheiro e influências. Há quem não tenha nem um nem outras e no entanto procurou seguir sempre um caminho recto dentro dos ditames da MTC e da Ética. 

Resta ainda saber de que Acupunctura se fala, como se fala, quem fala, e o que se diz! 

Pelo menos de certa acupunctura. 

 

7 - Mais se diz: 

Se está em curso um processo de Regulamentação deve-se, mormente, ao trabalho desenvolvido pelos nossos associados do Continente, Açores e Madeira”. 

Como referi anteriormente, parece que o trabalho realizado pelos que em décadas antecederam a “APPA – Clínicas Dr. Choy”, não serviu para nada.

E o trabalho da APAMTC para a Comissão Consultiva, este ao menos é reconhecido e testemunhado por todos os participantes. 

Tábua rasa.

Haverá outros que o fizeram? 

Não vale a pena comentar.

8 – E ainda, a respeito da “Recolha de assinaturas 

Olhem que não! Olhem que não!

Até eu consegui algumas centenas! 

E os outros, as tais outras Associações que são referidas a seguir na “carta” como não consultadas, essas aqui não contam, ou são do mesmo grupo? 

E a APAMTC, não conseguiu nenhuma assinatura, nem fez campanha de recolha pelos seus associados?  

9 – Também é dito: 

2. Queremos que o representante da Acupunctura, nesta Comissão, seja eleito por votação secreta e directa (cada acupunctor deve votar e ter direito a candidatar-se ao cargo). Assim, democraticamente, exige-se que sejam feitas eleições onde possam participar todas as Associações e, logicamente, seus respectivos associados, ou mesmo qualquer profissional que não seja federado. Destas eleições sairá quem efectivamente nos representará, de forma justa, séria e à semelhança do que sucede em todas as Associações e/ou Ordens Profissionais, assim o exigem as normas da Democracia.” 

 “Democracia”? 

Meus caros senhores, pelo menos a mim, nem à memória do meu Mestre, não me vêm dar lições de democracia. 

Não vos vi, nem antes, nem durante o 25 de Abril. Eu estava lá e arrisquei a vida e a dos meus familiares. E é graças à minha acção e à de muitos outros que alguns hoje ousam falar dela como se fosse (mais uma) sua criação.

É certo que o snr. Choy teria então 14 anos. 

Voltemos ao texto. 

A votação proposta é risível. 

Percebe-se que havendo alguém que conseguiu tão rapidamente dar “formação” de tantos “acupunctores”, possa vir a invocar a quantidade que terá como sócios na sua Associação e associadas. 

Em contraponto a APAMTC exige critérios para aceitação dos seus associados que são reconhecidos internacionalmente, e comparáveis à qualidade de ensino dos que saíram da Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa ( protocolo com a Universidade de Nanquim, a mais antiga Universidade chinesa a leccionar o curso de MTC, cujos reitores sempre se deslocaram a Portugal para a entrega dos diplomas ) e ainda daqueles cuja experiência é reconhecida ao longo de muitos anos.

O Regulamento Interno está na “net” e pode ser verificado. 

Formar pessoas com um currículo de cinco mil horas, não é o mesmo que com quinhentas ou até mil. A APAMTC requer qualidade ao invés de quantidade, pelo que necessariamente tem relativamente poucos associados, cento e vinte e cinco. 

É óbvio que a mobilização de pessoas que por aí proliferam a exercer a dita “acupunctura” com pouca ou nenhuma instrução qualificada, mas intitulando-se acupunctores, será o mais fácil de conseguir, dado o medo que lhes inculcaram por terem de actualizar a sua prática ou provar a sua qualificação por diploma ou anos comprovados de prática. Esqueceram-se de cuidar em verificar que se procurou prever todas as situações e salvaguardar os interesses dos que honestamente praticam a Acupunctura nos seus diversos níveis de conhecimento. 

Porque o não fizeram, muitos dos que nada têm a temer, e todos os outros que realmente não praticam Acupunctura, serão facilmente conduzidos a realizar uma votação maciça em alguém que lhes promete uma “igualização democrática” . 

O que parece ser proposto é: 

Vamos todos votar, os que “picam” com o que aprenderam com a compra de um livro, os que tiveram um “curso” de fim-de-semana, os que tiveram meia dúzia de lições, ou até que fizeram um curso por correspondência em Espanha, ou sei lá onde.

Não quero falar dos que compram diplomas por esse mundo fora. 

Juntam-se os que andaram na escola do snr. Choy e os que tiveram cinco anos, em tempo completo, de aprendizagem de Acupunctura - MTC (com a tutela de reconhecida e respeitada Universidade Chinesa, onde realizaram estágio hospitalar de vários meses e por quem foram directamente examinados no fim do curso), e ainda os que têm trinta anos de prática continuada com reconhecimento internacional bem como muitos outros cuja qualificação é insuspeitada. 

Somos todos iguais! 

Viva a “democracia” tipo PREC!

Só que isto nada tem a ver com democracia, no mundo civilizado.

10 – Diz-se ainda: 

“3. Como já referimos em cartas anteriores e mais uma vez reafirmamos, NÃO NOS SENTIMOS REPRESENTADOS PELO ACTUAL DITOREPRESENTANTE” na presente Comissão Técnico Consultiva.”

Vamos lá falar a sério, na Comissão Consultiva o snr. Choy assinou pelo seu punho que votava no Presidente da Direcção da APAMTC como representante da área de Acupunctura.

Isso não pode negar e o documento existe.

Vem agora desdizer-se?! 

Será que quando assinou foi só em nome pessoal e não na qualidade de representante dos inúmeros sócios da APPA e associadas? 

Quanto ao consenso, será que o consenso de que falam é o da(s) sua(s) própria(s) Associações e das “Clínicas Dr. Choy” (para onde vão os alunos das escolas do snr. Choy)? 

Tal como também é dito:

“6. Como pode alguém representar uma classe profissional não tendo sido escolhido, nem eleito, pela mesma?”  

classe profissional ” ? ? ?

Onde é que há “classe profissional”? Já foi regulada a profissão?

Será que houve alguém que se tornou “dono” dos profissionais sem estes saberem e os agrupou “revolucionariamente” numa classe profissional?

Ao que me parece, não há nenhuma classe profissional, mas profissionais que se agrupam nesta ou naquela Associação, não esquecendo que a primeira foi a fundada em 1982 e os que trabalham como independentes.

Haverá algum Sindicato? Ou alguma Ordem? 

Ou só haverá Associações dispersas, algumas com o mesmo mentor, cujos associados, em muitos casos, em praticamente nada se assemelham aos das outras, e por indivíduos profissionais não associados?

CONCLUSÃO

Por favor, não brinquemos agora com o que ao longo de décadas foi construído, com muito sacrifício, por alguns que se não movem por interesses monopolistas negociais, nem tornemos o conceito de democracia numa paródia que julgava já ter sido abolida há muitos anos...ou então:

VAMOS REPÔR A VERDADE, JÁ!!!

Lisboa, 6 de Abril de 2008

ARAÚJO BRITO

Presidente da MAG da APAMTC

 

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